segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Os doces tradicionais de Natal- cada região o seu nome e um pouco da história de alguns doces tradicionais de Natal

Formigos 


De Norte a Sul do país vários são os doces tradicionais de Natal que na receita, forma e sabor são semelhantes, mas o nome varia e região para região.

Rabanadas, fatias douradas, fatias paridas ou de parideira são alguns dos nomes das tradicionais fatias de pão fritas passadas em leite e ovo.  A receita muda ainda na zona o Douro e Minho, conhecidas como fidalgas ou fatias fidalgas, o pão leva manteiga é é regado de véspera com leite fervido com limão e um pau e canela e em vez de fritas são cozidas numa calda de açúcar. No final são regadas com a restante calda de açúcar. Geralmente são feitas de véspera.


Rabanadas conventuais com molho de vinho do Porto e frutos secos


Nas regiões do Douro e Minho são também típicos os mexidos de Natal, que vão ao lume com nozes, passas e pinhões para serem servidos em pequenos pratinhos polvilhados com canela. O Minho dá também outro nome a este prato, os formigos, onde o pão é cozido em leite e ovos aos quais depois se junta o mel ou o vinho doce.

Muito conhecidas são também as filhós,conhecidas também por malassadas. Este último termo é mais conhecido nas ilhas da Madeira e Açores.

Em Portugal Continental esta massa estendida e frita ganha formas e nomes diferentes consoante as regiões.
No alto Alentejo são velhozes e feitas em forma de bola. No baixo Alentejo acrescentam-lhe sumo de laranja e aguardente e a massa é frita em tirinhas dobradas em forma e livro, passando a ter o nome de judias.


Os famosos sonhos são também conhecidos como bolinhos de jerimu. Esta massa de abóbora ou cenoura, frita em forma de bola é indispensável na mesa natalícia. 

Outro exemplo são as empanadilhas, nome pelo qual são conhecidas as azevias no Algarve. Podem ser e grão ou e batata doce .

Sopa doce ou sopa dourada é outro doce típico onde o pão  frito é cozinhado em vinho quente com açúcar e um pau de canela.

Mantém o nome a aletria doce, o bolo - rei ou o arroz doce em todas as regiões do país.




O arroz doce

Desde o século VI a.C. que há registos de arroz cozido em leite com açúcar. A chegada da cana-de-açúcar da Índia ao Médio Oriente, onde já se cultivava o arroz, marca a origem desta especialidade que perdurou até aos nossos dias.

É possível imaginar que, muito antes, estes alimentos coexistiam na Índia e que, inclusivamente na Ásia, substituído o leite de origem animal pelo leite de coco, este doce era saboreado desde os tempos mais remotos.

Posteriormente, a fama do arroz doce espalhou-se rapidamente por toda a Europa e a cor dourada que o melaço lhe conferia passou ao branco característico, já no século XIII, quando se começou a utilizar açúcar refinado. O século XVIII marca o momento do baptismo desta sobremesa, que revela todo o seu encanto em todos os livros de receitas europeus.

Durante os últimos vinte e seis séculos, o arroz cozido em leite com açúcar conservou praticamente intacta a sua essência original.

A sobremesa de arroz doce em Portugal reflecte esse desejo de manter vivas as doces tradições ancestrais. As inúmeras referências revelam esta aliança do arroz doce e determinadas datas do calendário.

Sirva de exemplo o Natal que, nas aldeias e cidades portuguesas, é muito acarinhado nas suas tradições, convertendo a gastronomia no eixo central sobre o qual gira a celebração. Deste modo, e antes de se ir à popular Missa do Galo, não falta o prato de arroz doce e os doces conventuais que são com frequência servidos após um vistoso bacalhau cozido.


Desde o aroma que lhe é oferecido pela canela, passando pelo toque subtil que a casca de limão lhe dá, e terminando na porosidade que o ovo lhe confere, o arroz doce português admite, na sua preparação, pequenas variantes que permitem personalizá-lo e torná-lo único em cada mesa.
Aletria doce 
Do árabe al-irtiâ ou simplesmente itriya, é a palavra usada para designar massa.

No "Libre de sent soví" de autor anónimo e escrito em catalão no século XIV,  há uma referência a "alatria" em duas receitas de origem árabe, numa delas a aletria era cozinhada em leite de amêndoas e mel.

Por isso a aletria portuguesa, tem origem na longínqua história da península ibérica, anteriormente designada por Al-Andalus, faz-se um pouco por tudo o país, com mais ou menos massa, com ou sem gemas, nas Beiras a aletria é de consistência compacta, para se poder cortar à fatia, já no Minho a sua consistência é mais cremosa.


 Rabanadas

Diz-se que as rabanadas apareceram na era medieval, criadas por europeus que necessitavam utilizar todos os bocados de comida que encontrassem para alimentar as suas famílias… Sinais do tempo, as rabanadas não eram mais do que o aproveitamento do pão velho que se sabia poder usar quando humedecido e aquecido. A introdução dos ovos deveu-se à necessidade de transformar esse pão velho em alimento com proteínas surgindo assim a rabanada como a conhecemos actualmente.

Receitas medievais para a confecção da rabanada sugerem também que esta não era apenas alimento das camadas mais pobres sendo também muito apreciada pelos ricos. Segundo livros de culinária da época estas receitas utilizariam pão branco (mais caro na época) e com as crostas cortadas, algo impensável para as gentes mais pobres em que, devido à fome tudo era aproveitado.

Mas muito embora a Idade Medieval seja identificada como a época em que surgem as rabanadas é possível rastrear variantes da receita até aos tempos dos romanos.

Atendendo à sua etimologia e confecção, cada país parece apresentar uma variante da tradicional rabanada portuguesa e por isso se torna difícil identificar o país que originou o conceito. 
De todo o modo a denominação Anglicana de “French Toast” veio aproximar o entendimento deste prato como um prato de origem francesa.

Denominada ainda pelos franceses como Pain Perdu (Pão Perdido) no Sul de França são ainda tradicionalmente consumidas em dias de festa, especialmente na Páscoa. Em Portugal e no Brasil onde assumem a mesma denominação: Rabanadas, são especialmente consumidas no Natal sendo inclusive símbolo da época.



Mexidos ou formigos

 Os formigos são, por excelência, o doce natalício da região do Alto Minho , feitos com pão de trigo duro, que se esfarela para dentro dum pote ao lume, com água e mel, mexendo-se sempre. Quando a massa borbulhar, e ficar mais consistente, juntava-se-lhe uvas passas, nozes e figos aos pedacinhos, fervendo depois mais uns minutos. Deve servir-se frio, sendo feito dois ou três dias antes da consoada e em grande quantidade. Prato a carestia e comida, era feito com ingredientes recorrentes nesta zona o país, mel, frutos secos e o pão e trigo


Filhós ou malassadas

 Mas já assim se chamavam no século XVI, pois já Gil Vicente escreveu sobre elas:
mando-vos eu sospirar pola padeira d’Aveiro que haveis de chegar à venda e entam ali desalbardar e albardar o vendeiro senam tever que nos venda vinho a seis, cabra a três pão de calo, filhós de manteiga moça fermosa, lençóis de veludo casa juncada, noite longa chuva com pedra, telhado novo a candea morta e a gaita à porta. Apre zambro empeçarás olha tu nam te ponha eu o colos na rabadilha e verás”.
 Quanto à etimologia, filhós vem do latim filiola, que significava filha pequena.
          Antigamente eram as mulheres que as amassavam e preparavam no joelho para serem fritas no azeite e os homens é que as viravam e observavam o tempo em que estavam a fritar. Nesse tempo, há cinco décadas atrás, esta receita típica do Natal português era um luxo, pela dificuldade que representava para algumas famílias terem acesso ao azeite e à farinha.


Fonte a informação


3 comentários:

  1. Feliz Natal para si e para a sua família. Beijinhos.

    ResponderEliminar
  2. Que coisas mai boas :) Feliz Natal :)

    ResponderEliminar
  3. Olá Vânia! Tenha um Natal abençoado!!

    Abraços, Fabiana.
    www.sabornoprato.com

    ResponderEliminar

Obrigada pela visita. Deixe o seu comentário, é sempre bem-vindo a este cantinho. Responderei assim que poder.